Contexto da Operação
Na manhã do dia 3 de março de 2026, a Polícia Federal (PF) deu início à operação denominada “Tá na Conta” com o intuito de investigar um esquema de “compra de renúncia” de políticos na cidade de Caxias, localizada no Maranhão. O foco dessa operação está na identificação de práticas ilícitas envolvendo a desistência de candidaturas, com particular atenção para fraudes relacionadas à cota de gênero.
A operação se desdobra através da execução de sete mandados de busca e apreensão em bairros selecionados de Caxias e em áreas de Teresina, no Piauí. Os desdobramentos visam expor e desmantelar redes corruptas que operam no contexto eleitoral local.
Objetivos da Investigação
A investigação se propõe a elucidar uma série de irregularidades que comprometem a integridade do processo eleitoral. O objetivo principal é esclarecer a atuação de líderes políticos que, supostamente, teriam oferecido vantagens financeiras e outros benefícios para que candidatos concorrentes desistissem de suas disputas, criando assim um ambiente de desigualdade nas eleições.

Um aspecto particular da investigação é a exploração da cota de gênero. A PF procura entender como os envolvidos teriam forçado candidatas a se retirarem da corrida eleitoral, afetando diretamente a representação feminina nas chapas concorrentes.
Principais Alvos da PF
Dentre os indivíduos sob suspeita, destaca-se Othon Luiz Machado, que ocupa o cargo de secretário municipal de Administração, Finanças, Planejamento e Gestão Fazendária de Caxias. Machado já foi alvo de investigações anteriores, incluindo uma operação da PF relacionada a desvios de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
Como a Fraude Era Realizada
A investigação revelou que lideranças políticas locais se organizavam para oferecer quantias consideráveis, como R$ 50.000,00, e promessas de cargos públicos para persuadir candidatas a renunciar suas postulações. As práticas inclúiam também a utilização de mensagens interceptadas pela PF, que confirmavam a intenção de corromper o processo eleitoral por meio da desistência forçada das candidatas.
Consequências para os Envolvidos
As implicações legais dos envolvidos podem se traduzir em sérias consequências. Aqueles que forem confirmados como participantes desse esquema de compra de renúncia poderão ser processados por corrupção eleitoral e assédio eleitoral, especialmente contra as mulheres, o que acrescenta uma camada de gravidade às acusações.
O Papel de Othon Luiz Machado
O nome da operação, “Tá na Conta”, faz alusão a um vídeo postado por Othon Luiz Machado, que surgiu em resposta a uma investigação anterior da PF sobre desvios de recursos do Fundeb. Após uma ação policial que resultou em busca e apreensão, ele foi filmado dizendo a seus subordinados “Tá na conta”, o que muitos interpretaram como uma zombaria da ação legal e das suspeitas que pairavam sobre seus atos.
Fraudes na Cota de Gênero
Um dos pontos centrais da investigação é a suposta manipulação e violação da cota de gênero no registro de candidaturas. As apurações indicam que, ao forçar a renúncia de candidatas, as autoridades locais buscavam desestabilizar a representation feminina, liderando a eliminação de chapas completas apenas por interesses eleitorais. Isso compromete o direito das mulheres de serem adequadamente representadas nas esferas políticas.
Reações da População
A posse das informações sobre a operação e as investigações em andamento gerou reações variadas entre a população local. Muitos expressam preocupação com a corrupção que permeia a política regional, enquanto outros aguardam desenvolvimentos mais claros sobre a situação de Othon Luiz Machado e suas implicações para a administração municipal. O clamor público pede por ações concretas que garantam a transparência e a legalidade das práticas políticas na área.
Implicações Legais
Os crimes que os investigados poderão enfrentar incluem a corrupção eleitoral, que envolve o oferecimento de vantagens indevidas para influenciar decisões eleitorais, e o assédio eleitoral, particularmente em relação a candidatas mulheres. As penalidades para esses tipos de crime podem ser severas, incluindo multas significativas e penas de prisão, em alinhamento com as leis eleitorais brasileiras.
Próximos Passos da Investigação
Com a continuidade da operação, espera-se que a Polícia Federal aprofunde as investigações, com possíveis novas pegadas em busca de mais provas e de outros envolvidos. O foco será não apenas a completude da investigação sobre os atos de Othon Luiz Machado, mas também a possibilidade de descobrir uma rede mais ampla de corrupção eleitoral que atinge outras esferas administrativas.
As investigações estarão atentas a qualquer nova evidência que possa surgir e que possa contribuir para uma maior compreensão desse complexo cenário, garantindo que os responsáveis pelas fraudes eleitorais enfrentem as consequências de suas ações.


